Avaliar o potencial reduz o risco nas decisões de liderança

Artigo de Opinião de Olga Cunha

Avaliar o potencial reduz o risco nas decisões de liderança

As decisões relacionadas com a identificação e promoção de líderes têm tido nos últimos tempos, cada vez mais, um impacto significativo no desempenho e na sustentabilidade das organizações, sendo um tema de maior foco e pesquisa do mundo empresarial. Apesar disso, é frequente que estas decisões sejam baseadas, sobretudo, na performance atual do colaborador, assumindo que, um colaborador com excelentes resultados será, naturalmente, um bom líder. No entanto, desempenho e potencial são dois conceitos distintos e, que, no nosso entender, devem ser avaliados de forma complementar.

 

A performance representa aquilo que uma pessoa é capaz de entregar no contexto da sua função atual, refletindo conhecimentos técnicos, experiência e competências já desenvolvidas. O potencial, por outro lado, diz respeito à capacidade de crescer, aprender e responder eficazmente a desafios futuros, muitas vezes, em contextos de maior complexidade e responsabilidade; contexto mais ambíguos e competitivos; contextos mais ou menos dinâmicos. Convém acima de tudo definir à priori – Potencial existe? Mas potencial para quê?

 

Um colaborador pode ser um excelente especialista, mas, por outro lado, pode não possuir as características necessárias para liderar equipas, gerir a mudança ou tomar decisões estratégicas sob pressão.

 

É precisamente neste contexto que o HPTI (High Potential Trait Indicator), da Thomas, assume um papel diferenciador. Este Assessment foi desenvolvido especificamente para avaliar o potencial de liderança, ou seja, o Thomas HPTI mede seis traços de personalidade que, a investigação científica subjacente, associa ao sucesso em funções de liderança. Em vez de avaliar competências já adquiridas ou conhecimentos técnicos, este Assessment identifica predisposições comportamentais que influenciam a forma como uma pessoa lidera, decide, comunica e reage em contextos exigentes/ambíguos.

 

O modelo avalia dimensões críticas para o exercício de funções de liderança, como a Consciência (Conscientiousness), relacionada com a autodisciplina, e uma abordagem organizada no desempenho da função; o Ajustamento (Adjustment), que traduz a capacidade para gerir pressão e manter estabilidade emocional na gestão do stress; a Curiosidade (Curiosity), associada à inovação, aprendizagem, mudanças, abordagem a novos métodos; a Audácia (Risk Approach), relevante para a tomada de decisão e gestão da incerteza; com a forma com se lida com situações desafiantes, difíceis ou ameaçadoras; a Ambiguidade (Ambiguity Acceptance), que reflete a capacidade de atuar em cenários de mudança e informação incompleta; e a Competitividade (Competitiveness), relacionada com a motivação para alcançar resultados e influenciar os outros; vontade de “ganhar”.

 

Ao fornecer uma visão objetiva sobre estas características, o Assessment HPTI ajuda as organizações a identificar colaboradores com maior probabilidade de sucesso em futuras funções de liderança, mesmo quando ainda não tiveram oportunidade de demonstrar essas capacidades no desempenho das suas funções e no seu dia a dia, ou que ainda não tenham sido expostas a contextos que permitam identificar potencial. Desta forma, reduz-se a dependência de avaliações subjetivas ou da simples extrapolação da performance atual.

 

O impacto desta abordagem é particularmente relevante nos processos de sucessão e promoção interna. Ao integrar a avaliação de potencial nas decisões de talento, as organizações conseguem identificar futuros líderes com maior rigor, direcionar investimentos em desenvolvimento para as pessoas com maior capacidade de evolução e, minimizar o risco de promoções inadequadas. Como resultado, fortalecem a qualidade da liderança, asseguram uma sucessão mais consistente e aumentam a probabilidade de sucesso dos colaboradores em funções críticas para o negócio.

 

Em suma, avaliar apenas a performance responde à questão “Quem tem tido bons resultados?”. Avaliar também o potencial, através de ferramentas robustas como o HPTI da Thomas, permite responder a uma pergunta ainda mais estratégica: “Quem tem maior probabilidade de ser um líder de sucesso no futuro?”. É esta perspetiva que torna a avaliação do potencial um fator decisivo para reduzir o risco nas decisões de liderança.

 

 

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